Call Centers

Certamente não serei o primeiro, nem o último, a ser importunado na sua privacidade por um contacto telefónico com origem num qualquer centro de chamadas (chamados de Call Centers, numa perspectiva de globalização) e efectuado em nome de uma qualquer empresa com o intuito de nos impingirem algum produto. Os mesmos centros (ou idênticos) garantem o atendimento às nossas queixas e geralmente funcionam de igual forma: um conjunto de funcionários "robotizados" e "programados" com um discuso rígido e limitado que não respondem a nenhuma da nossas mais elementares questões e que nos repetem vezes sem conta o objectivo do seu contacto ou, no caso de ser um centro de atendimento, a sua impossibilidade de resolver ou responder as nossas questões.
Com isto as empresas evitam centenas de queixas, confunsões e problemas criados pelos utilizadores insatisfeitos que, em tempos idos, se deslocavam às instalações da entidade em causa. Tudo em nome de um melhor atendimento e respeito pelo cliente. É só vantagens! Pois eu digo, a próxima vez que tiver um problema com alguma empresa que se lixe o Call Center, vou directo à sede e marco reunião com o presidente.
Atentem à minha conversinha de ontem com uma senhora que me ligou em nome da ZON (de notar que eu já tinha sido incomodado por diversas vezes por estes senhores e sempre indiquei a minha vontade de não voltar a ser contactado).

Após tentativas de contacto às 16h52, 17h50 e 18h50, final e infelizmente, às 20h10 lá conseguiram que eu atendesse o telemóvel.

ZON - Boa tarde.
EU - Boa tarde. (já temendo o pior e preparando o discurso)
ZON - Falo da ZON no sentido de lhe dar a conhecer o novo serviço digital Funtastic Life. (novo?! desde quando?!)
EU - Queira desculpar mas eu já fui contactado em diversas ocasiões e da última deixei bem claro que não queria voltar a ser contactado. Gostaria que me explicasse como é que me está a ligar.
ZON - Ah... nós temos aqui o seu telemóvel e por isso estamos a ligar.

(bom, bom era não terem e conseguirem ligar.)

EU - Mas com que autorização. Certamente se me estão a ligar devem ter uma autorização minha para tal.
ZON - O senhor tem o seu telemóvel na ZON e eles enviam para nós. Se não quiser ser contactado tem que retirar o telemóvel da ZON.

(brilhante argumentação... o que será que este ser entende por "retirar o telemóvel da ZON"?! Da ZON de perigo de receber uma chamada?! Seria ela açoreana?)

EU - Ouça... eu da última vez que me ligaram deixei bem claro que não autorizava outro contacto. Explique-me como é que voltam a contactar. Isto é ilegal percebe?!
ZON - Mas nós não temos culpa, foi a ZON que nos enviou a listagem e nós ligamos. (a bela da cassete!)
EU - Diga-me então quem são vocês? Certamente são uma empresa de telemarketing contratada pela ZON.
ZON - Nós somos a ZON.
EU - Mas acabou de me dizer que não são responsáveis pelos contactos porque quem é responsável é a ZON e agora diz-me que pertence à ZON?!
ZON - A ZON tem vários departamentos! (em tom de "deve ser parvo o senhor")

(não insisti, percebi que iria entrar nova cassete e tentei concluir a conversa)

EU - Não quero voltar a ser contactado.
ZON - Eu vou escrever aqui isso mas não garanto que para a semana não volte a ser contactado.
EU - Desculpe?! Vocês não me garantem que eu não volto a ser contactado quando eu explicitamente o exijo?
ZON - Eu já lhe disse que vou escrever aqui mas os contactos vêm da ZON...
EU - Então ligue-me ao seu superior se faz favor.
ZON - Não tenho.
EU - Não tem?! Não me diga que estou a falar com o director ou com o presidente?!
ZON - Não mas não tenho aqui ninguém superior a mim.
EU - Não há hierarquia aí portanto... (gostava de ter um trabalho assim, sem chefe)

O telefonema terminou pouco depois, pedi um número de contacto que pudesse utilizar para me queixar e recebi o número da assistência técnica da ZON. Por acaso parece que serviu e espero não voltar a receber telefonemas destes senhores... até porque contratei os serviços da AR Telecom e vou livrar-me de vez da PT e suas descendentes. Espero que seja pelo melhor.

Vistas...

Sabiam melhor se não fossem do trabalho...




















- Lembras-te da Maddie?!

- Quem!? Maddie? Madalena? Maluquinha? Nah... não tou a ver.
- A dos McCann... não estás a ver quem é?
- Não.
- A que desapareceu no Algarve (ou como se diz agora Allgarve) sem deixar rasto.
- Ahhhh... Essa... isso é história. Novelas. A miúda não desapareceu nada.

- Desapareceu sim, nunca mais ninguém a viu. O caso vai ser arquivado pela PJ. Falta de provas.
- Claro. Isso dizia desde sempre. A miúda nem existe. Aquilo foi tudo arranjado para o casal McCann prolongar as férias e arranjar uns trocos extra.
- 'Tás doido! Foi lá agora... a miúda foi raptada, violada e assassinada umas 10 vezes por aquele russo, amigo da família. Não há é provas.
- Russo?! Qual russo?! Isso não foi do caso da outra?
- Qual outra?!
- A Joana... aquela que apanhou a mãe às cambalhotas com o tio...
- Nahhh... o tio dessa não era russo... era talhante. E tinha jeito... picou a miúda tão bem que ela nunca apareceu.
- Mas aí a mãe e o tio foram presos.
- Pois, claro.
- Mas havia provas?!
- Dizem que sim... havia qualquer coisa de eles serem portugueses.
- Ahhh... então é muito bem feita.
- Pois é... Coitadinhos dos McCann... vêm descansar e vivem um pesadelo. Ainda por cima os acusam de serem culpados!
- Culpados de quê?
- De terem morto a filha, a Maddie.
- Qual filha?! Maddie?! Madalena?! Maluquinha?! Isso são histórias...

E cá vamos andando...

...sem melhoras. O país mergulhado na euforia apática do Euro e a crise económico-social cada vez a alastrar mais e mais. No que me toca preocupa-me bastante mais a crise. Não é que não me vá sentar logo em frente à televisão a torcer por Portugal, não é que não me deixe envolver pelo espírito idioto-patriota que transborda de cada português (bom... bandeirinhas na janela e no carro não ponho) mas preocupa-me muito mais não saber o que fazer para mudar alguma coisa.

O povo tem a força, é bem verdade, quando se unem esforços não há impossíveis e é certo que se todos os prejudicados pela subida do preço dos combustíveis se limitassem a não consumir nem uma gota de combustível não tardaria mais que 2 ou 3 dias para que alguma coisa fosse feita. Se todos decidissemos um dia andar de transportes públicos, por certo a rede mostraria as suas insuficiências e o país sentiria o porquê de tanta gente não dispensar o transporte privado. Se todos decidissemos não trabalhar mais que 8 horas, não receber menos do que é justo, não pactuar com reformas milionárias obtidas em poucos anos, certamente tudo seria diferente. A prova está no protesto dos camionistas, que pecou porque visava servir apenas as necessidades das empresas de transportes. Fosse um protesto sério, pelo benefício da sociedade, e eu não me importava de me privar de alguns produtos para apoiar o protesto.

Mas quem é o povo que se une?! É aquele que é capaz de matar por um riacho de água?! Aqueles que aceitam menos 10 para trabalharem mais 20 só para poder subir nas costas do colega? Aquele que conhece não sei quem não sei onde que lhe arranja uma vaga para o filho onde não há vagas para ninguém? Ou aquele que ordena os processos na mesa do chefe de maneira a que o processo do amigo ande mais depressa? Pois é... o mal está no povo mesmo, é nesta hipocrisia absurda em que vivemos, apontando o dedo a quem não faz senão aquilo que gostariamos de ser nós a fazer... pelo simples facto de prejudicar os nossos e favorecer os outros.

Por isso a alternância funciona em Portugal, um dia comes tu, outro dia como eu, e com o tempo o ritmo estabiliza e o barco segue, meio afundado, mas balançando, de forma a que quem se afunda nem sempre está do mesmo lado. Mas o ritmo não estabilizou e cada vez está mais complicado baloiçar o barco e garantir que alguém não se afunda.

Para quem como eu, tenta encontrar emprego por mérito próprio, tenta arranjar o seu lugar sem pedidos ou ajudas, tenta, dia a dia, fazer a sua vida e orientar o seu rumo sem entrar em jogos de pedidos, conhecimentos ou pagamentos, é triste perceber que cada vez mais o lado que se afunda é o nosso, e o lado que fica ao sol é o deles.