Tentei escrever qualquer coisa... não saiu nada de jeito.
Sabem quando se quer "falar" mas não se encontra forma de o fazer? É isso.
Por isso nada a registar.
Fica o título. Se por um acaso o lerem... se por um acaso estiverem interessados no que por um acaso eu tivesse para dizer mas por outro acaso não consegui transpôr em palavras então, talvez um acaso vos leve a encontrar o verdadeiro sentido destas palavras. Se por um acaso houver algum sentido para lhes encontrar.
Relembro que muitas vezes é nos acasos que encontramos as melhores coisas da vida o que não deixaria de ser um acaso interessante, caso, e se por um acaso, essa fosse a consequência de lerem este post que por um acaso escrevi.
Nota: Por um acaso têm razão... o gajo não bate bem e nestas alturas bate ainda pior. Fica a promessa (ou será ameaça) de voltar em breve com maior sanidade mental. Até lá.
Homem do momento
Há coisa de duas semanas, disfrutando de um zapping na procura de um momento de distracção encontrei num canal que raras vezes frequento um programa que me prendeu a atenção - 28 minutos e 7 segundos de vida. Um programa dirigido por José Alberto Carvalho onde o protagonista, Manuel Forjaz debitava ideias próprias sobre o mundo, a sociedade e a sua doença. Manuel Forjaz padecia de um cancro de pulmão há pouco mais de 5 anos. É, já por si, um feito único, mas a aparente (ou não) coragem perante a fatalidade prende mais do que qualquer outro facto ou discurso.
Manuel Forjaz era, na minha opinião, o que eu designo por dead man walking. Esta expressão está associada ao início da caminhada final dos americanos condenados à pena de morte. Ora, num caso de uma doença onde a taxa de sobrevivência a cinco anos é de cerca de 15% (se não for peço desculpa, mas não andará longe) estamos perante uma condenação à morte sem dia nem hora marcada. Dito isto, Manuel transparecia a liberdade e despreocupação de quem não teme consequências. O estado clínico permitia-lhe um luxo de que qualquer outra pessoa, perfeitamente saudável e consciente, está privada.
Quanto a mim, este facto facilita o expôr das suas ideias por dois motivos.
- O primeiro, porque é mais simples para o comum dos mortais sentir-se "absorvido" e "concentrado" na observação de seres que considera em estado mais sensíveis ou fragilizados. A graça de um bebé, as "máximas" surpreendentes de uma criança de 5 anos, as palavras sábias de um idoso vergado pela experiência assim como as frases no leito de morte de um moribundo têm um eco em todos nós ampliado pelas circunstâncias e pelo penso emocional das mesmas;
- Em segundo, porque não necessita ter critérios. Pode dizer o que quiser, se cair mal muitos dirão "Coitado... já lhe está a afectar o cérebro", se cair bem muitos dirão "Palavras sábias de quem está às portas da morte e percebe o que realmente importa";
Esta aparente facilidade não invalida a competência de Manuel Forjaz no desenvolver de um discurso em que todos nós gostariamos de nos rever. Efectivamente desconhecia todo e qualquer facto sobre a vida deste Senhor, mas a conversa informal de dois amigos num estúdio de televisão prendeu-me, muito por culpa desta notável capacidade.
Por defeito de formação, ou por deformação de defeito, senti a necessidade de saber quem era Manuel Forjaz. Desconfio sempre da forma "cogumélica" (permitam-me que invente este termo, significa que surge de forma espontânea como os cogumelos) como surgem certas pessoas, empresas ou iniciativas e lancei-me na grande rede em busca de mais informação.
Encontrei muitíssimas referências positivas, sites, vídeos, programas, livro e mais rede houvesse sobre Manuel. Amigos da televisão, dos média, comentários de força, coragem, louvando os discursos motivacionais. Mas descobri também, uma reportagem da SIC onde se procurava obter respostas para o fecho de uma das empresas de Manuel Forjaz (Ideiateca) deixando dívidas a algumas centenas de pretadores de serviços em nome indivídual.
Nesta reportagem, e a crer na jornalista, Manuel Forjaz não deu a cara e delegou no escritório de advogados a responsabilidade de responder às questões colocadas.
Também na rede se descobrem sites e blogs que apelidam Manuel Forjaz de burlão, entre outras coisas menos simpáticas.
Tenho, naturalmente, tantas razões para acreditar no homem corajoso e aparentemente altruísta que, por acaso, se apresentou diante mim num programa de televisão como numa reportagem de televisão ou em blogs e comentários que surgem um pouco por todo o lado. Por desconhecimento na primeira pessoa do caso concreto, escuso-me a fazer avaliações ou a tomar partidos.
Não deixo, no entanto, de fazer notar que por regra, os discursos motivacionais, assim como as teorias intimamente relacionadas com o chamado empreededorismo, me dizem muito pouco. Gosto, e gostei como já frisei, do discurso de Manuel Forjaz, mas isso não me impede de separar águas. De perceber que a teoria exposta carece, normalmente, de respostas concretas. É muito marcante, mas também simples, dizer como o grande Raul Solnado "Façam o favor de serem felizes" ou com outro igualmente grande, António Feio, "Façam o favor de gostar uns dos outros" mas a questão que todos procuramos responder é "Como é que somos felizes?", "Como é que gosto dos outros e os outros de mim?".
O eco das frases soltas, ditas em circunstâncias emocionais específicas, é enorme. A consequência na prática das mesmas nem sempre, ou talvez raras vezes, é assim tão grande.
O empreendedorismo "surgiu" em força nos anos mais recentes, antes existia iniciativa privada, existiam os self made men (women), os génios, os inventores. Agora existem os empreendedores, que ainda não percebi bem o que são. A verdade é que de empreededores está o mercado cheio. E o efeito "cogumélico" que causam no panorama empresarial português está longe de ser benéfico.
Muitas das linhas mestras que oiço e leio sobre o empreendedorismo baseiam-se na máxima da não desistência, da tentativa e erro, do lançar-se ao alto mar numa casquinha de noz e tentar vezes sem conta até que um dia, talvez por sorte, se consiga sobreviver. Pelo meio, digo eu, afogamos um sem número de pessoas que connosco viajaram. O que se observa é que muitos dos projectos inovadores e empreendedores neste país acabam, mais tarde ou mais cedo, no fundo do mar e com eles são arrastados várias pessoas que não têm outra culpa senão a de terem acreditado que embarcavam num projecto sustentável com pernas para andar.
O problema não é da iniciativa, o problema está nos objectivos e na forma descuidada e egoísta como se pensa no projecto. O perfil do empreendedor actual, pelo menos como o vou entendendo, é idêntico ao perfil do que noutras décadas se chamava "um parasita da sociedade". São seres errantes, que empreendem com visões a curto prazo, com objectivos de lucro fácil e elevado, durante espaços de tempo reduzidos, muitas vezes apoiando-se na fortuna familiar ou na inocência de terceiros. Não têm, normalmente, objectivos de sustentabilidade, de crescimento e sobrevivência dos negócios a longo prazo. E porque acredito nisto? Porque se assim não fosse não veríamos surgir negócios em torno do nada, que duram muito pouco tempo, que procuram aproveitar necessidades efémeras dos consumidores ou até introduzir novas necessidades e que são, tipicamente, movidos pela onda da moda. Quando a onda se desfaz, desaparecem, deixando um rasto de dívidas e/ou desemprego e o empreendedor, muitas vezes salvando o investimento próprio que efectuou, segue para novo projecto inovador.
É por falta de respostas práticas, por falta de apoios técnicos e acompanhamento sério, por falta de projectos de negócio com visão a longo prazo, com objectivo de crescimento sustentável que me motivam muito pouco os discursos e eventos pro-empreendedorismo.
Mas confesso que a minha opinião não vale mais que a de outros, digamos que comparo este mecanismo de discurso motivacional aos PT's dos ginásios, há quem goste de ter alguém a contar o número de repetições aos nossos ouvidos, incentivando-nos para fazer mais e melhor, eu, pessoalmente, acho dispensável.
Manuel Forjaz parece-me que foi um homem capaz de retirar rendimento das circunstâncias da sua vida em proveito próprio. Fez doutrina, teve ao seu alcance os canais mais adequados para fazer eco da mesma, e ganhou uma notoriedade e uma credibilidade e que parecem fazer esquecer ou até mesmo eliminar toda e qualquer circunstância que possa manchar o seu percurso.
Teria sido importante, digo eu, confrontá-lo com as vozes que se ergueram contra o seu comportamento de forma tão mediática quanto foi difundida a sua doutrina. Em bem da verdade, em bem da clareza.
Agora é por certo tarde. Espero que descanse em paz e continuarei, por curiosidade, a ver os programas que perdi.
Manuel Forjaz era, na minha opinião, o que eu designo por dead man walking. Esta expressão está associada ao início da caminhada final dos americanos condenados à pena de morte. Ora, num caso de uma doença onde a taxa de sobrevivência a cinco anos é de cerca de 15% (se não for peço desculpa, mas não andará longe) estamos perante uma condenação à morte sem dia nem hora marcada. Dito isto, Manuel transparecia a liberdade e despreocupação de quem não teme consequências. O estado clínico permitia-lhe um luxo de que qualquer outra pessoa, perfeitamente saudável e consciente, está privada.
Quanto a mim, este facto facilita o expôr das suas ideias por dois motivos.
- O primeiro, porque é mais simples para o comum dos mortais sentir-se "absorvido" e "concentrado" na observação de seres que considera em estado mais sensíveis ou fragilizados. A graça de um bebé, as "máximas" surpreendentes de uma criança de 5 anos, as palavras sábias de um idoso vergado pela experiência assim como as frases no leito de morte de um moribundo têm um eco em todos nós ampliado pelas circunstâncias e pelo penso emocional das mesmas;
- Em segundo, porque não necessita ter critérios. Pode dizer o que quiser, se cair mal muitos dirão "Coitado... já lhe está a afectar o cérebro", se cair bem muitos dirão "Palavras sábias de quem está às portas da morte e percebe o que realmente importa";
Esta aparente facilidade não invalida a competência de Manuel Forjaz no desenvolver de um discurso em que todos nós gostariamos de nos rever. Efectivamente desconhecia todo e qualquer facto sobre a vida deste Senhor, mas a conversa informal de dois amigos num estúdio de televisão prendeu-me, muito por culpa desta notável capacidade.
Por defeito de formação, ou por deformação de defeito, senti a necessidade de saber quem era Manuel Forjaz. Desconfio sempre da forma "cogumélica" (permitam-me que invente este termo, significa que surge de forma espontânea como os cogumelos) como surgem certas pessoas, empresas ou iniciativas e lancei-me na grande rede em busca de mais informação.
Encontrei muitíssimas referências positivas, sites, vídeos, programas, livro e mais rede houvesse sobre Manuel. Amigos da televisão, dos média, comentários de força, coragem, louvando os discursos motivacionais. Mas descobri também, uma reportagem da SIC onde se procurava obter respostas para o fecho de uma das empresas de Manuel Forjaz (Ideiateca) deixando dívidas a algumas centenas de pretadores de serviços em nome indivídual.
Nesta reportagem, e a crer na jornalista, Manuel Forjaz não deu a cara e delegou no escritório de advogados a responsabilidade de responder às questões colocadas.
Também na rede se descobrem sites e blogs que apelidam Manuel Forjaz de burlão, entre outras coisas menos simpáticas.
Tenho, naturalmente, tantas razões para acreditar no homem corajoso e aparentemente altruísta que, por acaso, se apresentou diante mim num programa de televisão como numa reportagem de televisão ou em blogs e comentários que surgem um pouco por todo o lado. Por desconhecimento na primeira pessoa do caso concreto, escuso-me a fazer avaliações ou a tomar partidos.
Não deixo, no entanto, de fazer notar que por regra, os discursos motivacionais, assim como as teorias intimamente relacionadas com o chamado empreededorismo, me dizem muito pouco. Gosto, e gostei como já frisei, do discurso de Manuel Forjaz, mas isso não me impede de separar águas. De perceber que a teoria exposta carece, normalmente, de respostas concretas. É muito marcante, mas também simples, dizer como o grande Raul Solnado "Façam o favor de serem felizes" ou com outro igualmente grande, António Feio, "Façam o favor de gostar uns dos outros" mas a questão que todos procuramos responder é "Como é que somos felizes?", "Como é que gosto dos outros e os outros de mim?".
O eco das frases soltas, ditas em circunstâncias emocionais específicas, é enorme. A consequência na prática das mesmas nem sempre, ou talvez raras vezes, é assim tão grande.
O empreendedorismo "surgiu" em força nos anos mais recentes, antes existia iniciativa privada, existiam os self made men (women), os génios, os inventores. Agora existem os empreendedores, que ainda não percebi bem o que são. A verdade é que de empreededores está o mercado cheio. E o efeito "cogumélico" que causam no panorama empresarial português está longe de ser benéfico.
Muitas das linhas mestras que oiço e leio sobre o empreendedorismo baseiam-se na máxima da não desistência, da tentativa e erro, do lançar-se ao alto mar numa casquinha de noz e tentar vezes sem conta até que um dia, talvez por sorte, se consiga sobreviver. Pelo meio, digo eu, afogamos um sem número de pessoas que connosco viajaram. O que se observa é que muitos dos projectos inovadores e empreendedores neste país acabam, mais tarde ou mais cedo, no fundo do mar e com eles são arrastados várias pessoas que não têm outra culpa senão a de terem acreditado que embarcavam num projecto sustentável com pernas para andar.
O problema não é da iniciativa, o problema está nos objectivos e na forma descuidada e egoísta como se pensa no projecto. O perfil do empreendedor actual, pelo menos como o vou entendendo, é idêntico ao perfil do que noutras décadas se chamava "um parasita da sociedade". São seres errantes, que empreendem com visões a curto prazo, com objectivos de lucro fácil e elevado, durante espaços de tempo reduzidos, muitas vezes apoiando-se na fortuna familiar ou na inocência de terceiros. Não têm, normalmente, objectivos de sustentabilidade, de crescimento e sobrevivência dos negócios a longo prazo. E porque acredito nisto? Porque se assim não fosse não veríamos surgir negócios em torno do nada, que duram muito pouco tempo, que procuram aproveitar necessidades efémeras dos consumidores ou até introduzir novas necessidades e que são, tipicamente, movidos pela onda da moda. Quando a onda se desfaz, desaparecem, deixando um rasto de dívidas e/ou desemprego e o empreendedor, muitas vezes salvando o investimento próprio que efectuou, segue para novo projecto inovador.
É por falta de respostas práticas, por falta de apoios técnicos e acompanhamento sério, por falta de projectos de negócio com visão a longo prazo, com objectivo de crescimento sustentável que me motivam muito pouco os discursos e eventos pro-empreendedorismo.
Mas confesso que a minha opinião não vale mais que a de outros, digamos que comparo este mecanismo de discurso motivacional aos PT's dos ginásios, há quem goste de ter alguém a contar o número de repetições aos nossos ouvidos, incentivando-nos para fazer mais e melhor, eu, pessoalmente, acho dispensável.
Manuel Forjaz parece-me que foi um homem capaz de retirar rendimento das circunstâncias da sua vida em proveito próprio. Fez doutrina, teve ao seu alcance os canais mais adequados para fazer eco da mesma, e ganhou uma notoriedade e uma credibilidade e que parecem fazer esquecer ou até mesmo eliminar toda e qualquer circunstância que possa manchar o seu percurso.
Teria sido importante, digo eu, confrontá-lo com as vozes que se ergueram contra o seu comportamento de forma tão mediática quanto foi difundida a sua doutrina. Em bem da verdade, em bem da clareza.
Agora é por certo tarde. Espero que descanse em paz e continuarei, por curiosidade, a ver os programas que perdi.
Dei comigo de novo!
Hoje dei comigo a "revisitar" e-mails "antigos"...
Curioso como em poucos dias dou comigo duas vezes! Nem sempre acontece... a maior parte do tempo não sei onde ando. Mas gosto de dar comigo, chega a ser surpreendente! - Eh lá! Olha quem é que está aqui! 'Tás bom pá?! - Eu trato-me a mim próprio com esta confiança toda mas não me levo a mal.
Bom... recomeçando... Hoje dei comigo a "revisitar" e-mails "antigos". Quem escreve "antigos" quer escrever "não actuais", com uns bons dois anos de idade. Não que esteja numa fase saudosista e procure histórias e mensagens já com algum cheiro a mofo, apenas procurava uns dados para uso profissional que pensava perdidos nos arquivos empoeirados do e-mail do meu anterior trabalho (Sim... eu guardo todos os e-mails de todos os trabalhos por onde passei).
O certo é que passei os olhos por um ou outro email trocado e acabei por me deparar com os meus textos de despedida dos colegas (e alguns amigos) de trabalho.
É giro... acho que é a palavra certa, é giro. As voltas que o mundo dá em dois anos, ou não, ou simplesmente as voltas que o mundo não dá e mesmo assim o tanto que nos movimentamos.
Sem me querer alongar muito neste tema digo-vos apenas, no próximo texto de despedida que tenha de fazer vou-me limitar ao saber de experiência feito, nada de promessas de contacto eterno, de muitas saudades e falta que os colegas vão fazer, de palavras lamechas sobre o muito que se viveu, de contactos para usarem sempre e quando precisarem ou quiserem. Nada disso. Há que ser realista e perceber que para uns 90% dos ex-colegas / amigos de trabalho (com tendência para com o tempo chegar aos 100% dos casos) é tudo muito bonito na hora da despedida mas assim que a porta se fecha nas nossas costas passamos à história. A verdade é que, numa percentagem idêntica, também eles passam à história embora, por deformação pessoal, queira acreditar que em mim resta sempre um pouco de alguns deles do que nesses resta de mim.
Espero não necessitar deste texto mas, a título de exemplo, deixo aqui um pequeno exemplo do que pode ser um e-mail de despedida realista:
"Caros,
Fui.
Com os melhores cumprimentos,
(Nome de preferência em iniciais para que aqueles que guardem o e-mail venham a ter um trabalho extra em recordar o nome de quem o enviou caso o voltem a ler)
P.S. Espero que não me levem a mal por não deixar qualquer contacto mas, dado que duvido que os venham a utilizar para alguma coisa, poupei-me o tempo dos digitar poupando-vos igualmente o tempo de os ler e, eventualmente, de os guardar."
P.S. (este ao post) Não posso deixar de referir que existem casos, ainda que pontuais, onde a vontade mútua de manter o contacto permite a manutenção de uma relação de amizade. Nem tudo, nem muito menos todos "desaparecem" sem deixar rasto.
Curioso como em poucos dias dou comigo duas vezes! Nem sempre acontece... a maior parte do tempo não sei onde ando. Mas gosto de dar comigo, chega a ser surpreendente! - Eh lá! Olha quem é que está aqui! 'Tás bom pá?! - Eu trato-me a mim próprio com esta confiança toda mas não me levo a mal.
Bom... recomeçando... Hoje dei comigo a "revisitar" e-mails "antigos". Quem escreve "antigos" quer escrever "não actuais", com uns bons dois anos de idade. Não que esteja numa fase saudosista e procure histórias e mensagens já com algum cheiro a mofo, apenas procurava uns dados para uso profissional que pensava perdidos nos arquivos empoeirados do e-mail do meu anterior trabalho (Sim... eu guardo todos os e-mails de todos os trabalhos por onde passei).
O certo é que passei os olhos por um ou outro email trocado e acabei por me deparar com os meus textos de despedida dos colegas (e alguns amigos) de trabalho.
É giro... acho que é a palavra certa, é giro. As voltas que o mundo dá em dois anos, ou não, ou simplesmente as voltas que o mundo não dá e mesmo assim o tanto que nos movimentamos.
Sem me querer alongar muito neste tema digo-vos apenas, no próximo texto de despedida que tenha de fazer vou-me limitar ao saber de experiência feito, nada de promessas de contacto eterno, de muitas saudades e falta que os colegas vão fazer, de palavras lamechas sobre o muito que se viveu, de contactos para usarem sempre e quando precisarem ou quiserem. Nada disso. Há que ser realista e perceber que para uns 90% dos ex-colegas / amigos de trabalho (com tendência para com o tempo chegar aos 100% dos casos) é tudo muito bonito na hora da despedida mas assim que a porta se fecha nas nossas costas passamos à história. A verdade é que, numa percentagem idêntica, também eles passam à história embora, por deformação pessoal, queira acreditar que em mim resta sempre um pouco de alguns deles do que nesses resta de mim.
Espero não necessitar deste texto mas, a título de exemplo, deixo aqui um pequeno exemplo do que pode ser um e-mail de despedida realista:
"Caros,
Fui.
Com os melhores cumprimentos,
(Nome de preferência em iniciais para que aqueles que guardem o e-mail venham a ter um trabalho extra em recordar o nome de quem o enviou caso o voltem a ler)
P.S. Espero que não me levem a mal por não deixar qualquer contacto mas, dado que duvido que os venham a utilizar para alguma coisa, poupei-me o tempo dos digitar poupando-vos igualmente o tempo de os ler e, eventualmente, de os guardar."
P.S. (este ao post) Não posso deixar de referir que existem casos, ainda que pontuais, onde a vontade mútua de manter o contacto permite a manutenção de uma relação de amizade. Nem tudo, nem muito menos todos "desaparecem" sem deixar rasto.
Rica Balula
Hoje dei comigo a pensar que a minha presença online foi marcada desde de cedo pelo heterónimo com que assino as minhas mensagens. A verdade é que não nasceu heterónimo, nasceu com vestimentas de alcunha, ou nome que os mais íntimos utilizavam. Nasceu, não se sabe bem como ou porquê, da boca do meu irmão, que para mim sempre foi mano e que cedo me rebatizou com este Rica Balula, que parece ter tanto de afemeninado (Rica) como de louco (Balula). No fundo de afemininado só têm a aparência, digo eu, que nada tenho contra o lado feminino das coisas, até por ser aquele, que por defeito ou feitio, mais aprecio. É precisamente essa parte que encontra justificação mais lógica, deriva directamente do meu primeiro nome. Já no que toca à loucura... bom... aí não há qualquer justificação. Quer dizer... haver há, que cometer umas pequenas loucuras sempre foi um (bom) hábito, e continuará a ser, deste que vos escreve. Mas o nome em si... Balula... vá-se lá saber onde é que aquele rapaz foi buscar esta ideia.
Certo é que, nos meus primeiros contactos com a a grande rede, coloquei online um sítio, medonho por sinal, que intitulei com o pomposo nome de "Balula na net". Por muito básico que vos pareça, transparece todo o meu pragmastismo e objectividade. Era efectivamente um documento pessoal, com informações pessoais e, para vosso espanto, estava efectivamente na net.
Já lá vão uns 20 anos! Talvez um pouco menos. Ainda não havia blogs, nem facebooks, nem googles plus... Os chats eram programas estranhos que corriam num ecrã escuro de um terminal, em letras de cor verde ou laranja, com salas virtuais, por vezes fundidos com um qualquer jogo que dependia fortemente da nossa imaginação para se tornar realmente interessante.
A grande rede era povoada por enormes directórios de ficheiros, textos aos quilos, divagações técnicas, estudos variados embrulhados em designs pouco ou nada atractivos, cores básicas e efeitos ainda mais básicos.
Aí comecei a ser Balula para alguns amigos. O nome nunca ganhou maior dimensão ou peso que o meu verdadeiro nome, felizmente digo eu e abaixo explico porquê, mas passou a ser o eu virtual, a minha assinatura digital. De tal forma que surgiu quem, utilizando o nome de pleno direito, me questionasse do outro lado do Atlântico sobre a possibilidade de ser seu familiar. Vim por esse acaso a descobrir a existência real de um apelido que eu julgava ter origem na imaginação do meu irmão (a título de curiosidade, Balula parece ser um apelido de algumas famílias da zona de Viseu).
Desde a sua criação, onde surgia na surpreendente frase "Rica maluca! Balula!" dito de uma forma apenas possível de descrever falando, este pseudónimo evoluiu. Passou de brincadeira a assinatura nas batalhas de jogos e recordes quebrados a assinatura do que por aqui escrevinho, passando por nick name em chats e conversas virtuais. Se foi para melhor ou pior... bom, não sei. Se continuará a evoluir... também não sei. Mas hoje dei comigo a pensar, que há coisa que mudam, tempos, cenários, vontades e pessoas também. Mas há outras, que nos acompanham pela vida fora e sem as quais não poderiamos contar a mesma história.
Quando comecei a assinar Balula, consta que não existia tanta facilidade de comunicação como nos dias que correm. O email era coisa de apenas alguns, os chats de menos ainda, os telemóveis eram do tamanho de tijolos e dava para telefonar e enviar sms com caracteres limitados. Não se podia despejar toneladas de informação, pensamentos ou ideias numa qualquer plataforma de rede social esperando que no segundo seguinte fizessem eco pelos quatro cantos do mundo.
Nesse tempo, eu via os meus amigos quase todos os dias, e quando não via trocava uma chamada e dois dedos de conversa.
Nesse tempo, eu saía quase todos os fim-de-semanas, e quando não acontecia, os meus amigos ligava a perguntar o porquê.
Nesse tempo, antes de ter carro e ter toda a mobilidade que se possa querer, perdia o último transporte para casa e meio ébrio acabava por passar o resto da noite na casa de um amigo ou amiga que me oferecia guarida.
Nesse tempo, quando se queria acabar uma relação era olhos nos olhos, com as palavras a escorrerem lenta e dolorosamente, quando nos chateávamos com alguém não bastava bloquear-lhe o acesso ao nosso perfil.
Nesse tempo era preciso sermos Homens e Mulheres, mesmo que fossemos apenas adolescentes ou pré-adultos.
Nesse tempo, como hoje, eu tenho um nome pelo qual todos me conhecem e a minha assinatura digital nunca poderá a ele sobrepor-se assim como o meu eu real nunca será apagado ou sequer disfarçado por um ser virtual, igual aos muitos que agora povoam os grandes aterros de solidão que são as redes sociais.
Tenho saudades desse tempo... quando era tudo tão mais difícil, quando comunicar não era coisa banal, e de tão pouco banal cada um de nós se preocupava em fazê-lo da melhor forma possível.
Não tenho nada contra a evolução tecnológica e facilidade de comunicação, até porque nela baseio a minha vida profissional. Mas como em tudo, pode ser usada de forma correcta ou incorrecta e temo, pelo que vejo e pelo que sinto que estejamos a ir no caminho errado.
Certo é que, nos meus primeiros contactos com a a grande rede, coloquei online um sítio, medonho por sinal, que intitulei com o pomposo nome de "Balula na net". Por muito básico que vos pareça, transparece todo o meu pragmastismo e objectividade. Era efectivamente um documento pessoal, com informações pessoais e, para vosso espanto, estava efectivamente na net.
Já lá vão uns 20 anos! Talvez um pouco menos. Ainda não havia blogs, nem facebooks, nem googles plus... Os chats eram programas estranhos que corriam num ecrã escuro de um terminal, em letras de cor verde ou laranja, com salas virtuais, por vezes fundidos com um qualquer jogo que dependia fortemente da nossa imaginação para se tornar realmente interessante.
A grande rede era povoada por enormes directórios de ficheiros, textos aos quilos, divagações técnicas, estudos variados embrulhados em designs pouco ou nada atractivos, cores básicas e efeitos ainda mais básicos.
Aí comecei a ser Balula para alguns amigos. O nome nunca ganhou maior dimensão ou peso que o meu verdadeiro nome, felizmente digo eu e abaixo explico porquê, mas passou a ser o eu virtual, a minha assinatura digital. De tal forma que surgiu quem, utilizando o nome de pleno direito, me questionasse do outro lado do Atlântico sobre a possibilidade de ser seu familiar. Vim por esse acaso a descobrir a existência real de um apelido que eu julgava ter origem na imaginação do meu irmão (a título de curiosidade, Balula parece ser um apelido de algumas famílias da zona de Viseu).
Desde a sua criação, onde surgia na surpreendente frase "Rica maluca! Balula!" dito de uma forma apenas possível de descrever falando, este pseudónimo evoluiu. Passou de brincadeira a assinatura nas batalhas de jogos e recordes quebrados a assinatura do que por aqui escrevinho, passando por nick name em chats e conversas virtuais. Se foi para melhor ou pior... bom, não sei. Se continuará a evoluir... também não sei. Mas hoje dei comigo a pensar, que há coisa que mudam, tempos, cenários, vontades e pessoas também. Mas há outras, que nos acompanham pela vida fora e sem as quais não poderiamos contar a mesma história.
Nesse tempo, eu via os meus amigos quase todos os dias, e quando não via trocava uma chamada e dois dedos de conversa.
Nesse tempo, eu saía quase todos os fim-de-semanas, e quando não acontecia, os meus amigos ligava a perguntar o porquê.
Nesse tempo, antes de ter carro e ter toda a mobilidade que se possa querer, perdia o último transporte para casa e meio ébrio acabava por passar o resto da noite na casa de um amigo ou amiga que me oferecia guarida.
Nesse tempo, quando se queria acabar uma relação era olhos nos olhos, com as palavras a escorrerem lenta e dolorosamente, quando nos chateávamos com alguém não bastava bloquear-lhe o acesso ao nosso perfil.
Nesse tempo era preciso sermos Homens e Mulheres, mesmo que fossemos apenas adolescentes ou pré-adultos.
Nesse tempo, como hoje, eu tenho um nome pelo qual todos me conhecem e a minha assinatura digital nunca poderá a ele sobrepor-se assim como o meu eu real nunca será apagado ou sequer disfarçado por um ser virtual, igual aos muitos que agora povoam os grandes aterros de solidão que são as redes sociais.
Tenho saudades desse tempo... quando era tudo tão mais difícil, quando comunicar não era coisa banal, e de tão pouco banal cada um de nós se preocupava em fazê-lo da melhor forma possível.
Não tenho nada contra a evolução tecnológica e facilidade de comunicação, até porque nela baseio a minha vida profissional. Mas como em tudo, pode ser usada de forma correcta ou incorrecta e temo, pelo que vejo e pelo que sinto que estejamos a ir no caminho errado.
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