Estações da vidinha


Sobe. Arrasta os pés pela passadeira rolante da vida que se move sem parar. Espera o comboio que o levará ao destino. Senta-se e deixa fluir ideias soltas que escorrem pelo vazio de soluções e vão ficando para trás, como que presas aos carris que amanhã voltam a ser percorridos mas que nunca chegarão a lado algum.

Sai. Arrasta os pés pelo cais, inspira, respira a maresia poluída que sabe a liberdade mas envenena. As ideias voltam a escorrer e seguem a maré que daqui a pouco será vazia. Amanhã volto. Segue. Arrasta os pés...

Coccinellas exibicionistas

A vida animal em pleno Chiado. Gostaria de estar presente, daqui a 4 ou 7 semanas quando a mãe orgulhosa cantar aos seus filhotes - "Joaninha voa voa que o teu pai está em Lisboa" e poder dizer, com toda a propriedade, "E está mesmo! No Chiado!"

Essência

A essência de um indivíduo é facilmente avaliada tendo em conta pequenos detalhes e comportamentos. Fácil, portanto, será entender o que podemos esperar de um indivíduo que a cada visita à casa de banho, após uma demorada utilização do urinol, sujeito a contactos com peles, salpicos e mais que seja, se retira sem que uma gota de água seja desperdiçada na higienização das suas mãos.
Podemos até definir uma escala de qualidade de essências ou personalidades senão, vejamos:

1- aqueles que lavam as mãos com água e sabão antes e depois de usarem o urinol e ainda ligam a água do mesmo antes, durante e depois da utilização;

2- aqueles que lavam as mãos e ligam a água do urinol apenas depois da utilização e antes caso este esteja sujo do último utilizador;

3- aqueles que não ligam a água do urinol mas lavam as mãos depois da utilização;

4- aqueles que não ligam a água do urinol e também não lavam as mãos;

5- aqueles que não ligam a água do urinol, não lavam as mãos e ainda olham para o espelho antes de sair para darem um jeito ao cabelo... ou será para limparem os salpicos?!

Os primeiros talvez possamos considerar como demasido rígidos e cuidadosos, os segundos, talvez o grupo mais numeroso, têm os cuidados mínimos e socialmente correctos.
Depois passamos para os grupos de elite... 3 conjuntos distribuídos em crescendo de falta de higiene e de interesse.
No grupo 3 encontram-se os potênciais chefes e dirigentes, têm a mania que os outros têm que limpar a merda que eles fizeram, prepotentes, socialmente incorrectos, mal-educados, manientos, preocupam-se com eles próprios e esperam que tudo o resto gire em seu redor.
No quarto grupo temos os que pretendem um dia pertencer ao grupo 3 mas não têm arrogância e/ou esperteza suficiente para lá chegar. São indivíduos sem espinha dorsal, rastejam perante os mais poderosos e pisam em quem está por baixo.
O grupo de topo é constituído por extremos, indivíduos de classes muito baixas, sem educação, formação ou sequer inteligência e ainda, indíviduos de classes altas, com educação, formação mas sem inteligência ou esperteza sequer. São dotados de de uma formidável incapacidade de assimilar conceitos como higiéne ou respeito pelo próximo e normalmente atingem o sucesso à custa de redes de amigos e conhecidos que os empurram para cargos de visibilidade garantida.

Pudessemos fazer uma análise instantânea às mãos de cada pessoa e perceberiamos que de algums apenas pode sair da boca o mesmo que têm nas mãos.