Optei por "ouvir" o que Ramona Maneiro tinha para me contar. Com alguns anos de atraso mas com a curiosidade ainda desperta avancei pelos dois primeiros capítulos. Sem tiques literários nem melo-dramatismos excessivos Ramona estabelece um "monólogo" escrito que se torna interessante pela simplicidade com que descreve a realidade dos factos e sentimentos interrompendo aqui e ali o relato com a justificação para escrever de uma maneira ou de outra, remetendo alguns assuntos para outra altura mais pertinente, gerindo "em voz alta" a forma como elabora o texto. Não nos deixa segredos.
Mas... só aqui para nós, que (quase) ninguém me "ouve", embora o livro trate de uma história de drama e sofrimento, nos faça pensar na eutanásia e confrontar-nos com os nossos próprios medos e traumas, tenho especial prazer e ler cada linha pelo simples facto de estar escrito em castelhano... sim, exactamente, pelo bem que me faz ao ego sentir que percebo cada uma das palavras ali impressa. Não que alguma vez me tenha sentido orgulhoso por saber espanhol mas, nos tempos que correm, qualquer "extra" me faz sentir um pouco melhor, nem que seja por uns minutos. Tem o seu quê de macabro que dê por mim a sorrir no meio de uma descrição de como se ajuda a morrer quem se ama ou de como se pede ajuda para morrer mas, se é para me sentir melhor, perdona-me Ramón!
Curiosa esta minha procura de algum conforto em terras vizinhas, já não é novidade para mim como são capazes de saber. Se hoje aqui estou a um espanhol o devo (como podem comprovar neste post)... estarei eu no lado errado da fronteira?
Na mesinha de cabeceira
Libertei, finalmente, a minha mesinha de cabeceira, e a mim próprio, do peso do último livro de Dan Brown, O Símbolo Perdido. Não é que que seja mau, consegui ler tudo até ao fim das intermináveis 571 páginas mas... tem umas 371 páginas a mais.
Depois de terminar o famoso Código de Da Vinci pensei "Dan, caro amigo, continua que vais no bom caminho mas não me leves a mal, não é nada pessoal, mas não tenho pachorra!". Entretanto, passou mais um daqueles dias em que algumas pessoas nos ligam a dar os parabéns e oferecem coisas sabe-se lá porquê e recebi O Símbolo Perdido, último grito nas prateleiras das livrarias. No mesmo dia recebi o Fúria Divina do "nosso Zé Orelhas".
Optei de imediato por ler a Fúria primeiro e o Símbolo depois, ainda com o Código na memória... Deu para comparar. Num estilo jornalístico que achei interessante, com detalhes e descrições suficientes e necessárias e sem "dar palha" para aumentar o número de páginas (pelo menos sem nos insultar a inteligência quase explicitamente) o JRS leva-nos por uma viagem, quase documental pelas questões islâmicas que, confesso, pouco conhecia. Uma viagem que nos prende e nem nos faz saltar do comboio em andamento nem nos deixa adormecer com o embalo da carruagem. Parabéns Zé! (Permita-me que tome esta liberdade, é com todo o respeito que o faço embora saiba que dificilmente alguma vez venha a ler estas linhas)
Já o Símbolo... a certa altura já me apetecia que se tivesse perdido de vez. Descrições desnecessárias, parágrafos "empanturrantes" de filme de acção de 2ª categoria, esticar, esticar, esticar porque temos de ter mais de 500 páginas, enfim, Dan... os parágrafos no estilo "E ali estava. Desde do ínicio tão óbvio e ele não tinha percebido. Mesmo na cara dele. Em frente dos seus olhos. Quanto mais tempo estiver aqui a escrever mais ele percebe o que é óbvio e que eu ainda não vos contei e só conto no próximo capítulo porque pelas minhas contas este capítulo tem que ter 14 páginas e ainda faltam 2" não são o meu estilo. Mas pronto, anima-te, a minha opinião não vale de nada e continuas a vender toneladas de livros.
Pela primeira vez li um livro, cheguei ao fim do mesmo e... ele continuou por mais 100 penosas páginas de filosofias e teorias que não me interessaram nem um pouco.
Pelo menos consegui ler até ao fim e não foi mau, apenas fraquinho.
Agora deparo-me com um dilema - o que ler de seguida? - tenho várias hipóteses, depois de analisar a mesinha de cabeceira descobri:
Em cima mantem-se uma verdadeira desilusão, A Ninfa Inconstante, que comprei num impulso após ver uma entrevista da viúva do autor, Guilhermo Cabrera Infante. Com Havana como cenário e com uma entrevista que me embalou achei que seria uma aposta ganha. Errado. Lá está, fechado após poucas páginas de dolorosa e lenta leitura. Dentro da gaveta, O último volume do MEC e Cartas desde el infierno de Ramón Sampedro (em castelhano). Qualquer dos dois estão em espera não por não despertarem interesse mas apenas porque não sinto que esteja com o espírito certo para eles. À estante fui buscar A sombra do que fomos de Luis Sepúlveda e Querido Ramón de Ramona Maneiro (em castelhano). Li a contra-capa deste último e estou muito tentado a começar por aqui.
"Yo tenía que renunciar a la presencia física de Ramón para dejarlo ir con la otra, y la otra era la muerte. Me lo suplicó y no sentí celos" (Ramona Maneiro in Querido Ramón).
Depois de terminar o famoso Código de Da Vinci pensei "Dan, caro amigo, continua que vais no bom caminho mas não me leves a mal, não é nada pessoal, mas não tenho pachorra!". Entretanto, passou mais um daqueles dias em que algumas pessoas nos ligam a dar os parabéns e oferecem coisas sabe-se lá porquê e recebi O Símbolo Perdido, último grito nas prateleiras das livrarias. No mesmo dia recebi o Fúria Divina do "nosso Zé Orelhas".
Optei de imediato por ler a Fúria primeiro e o Símbolo depois, ainda com o Código na memória... Deu para comparar. Num estilo jornalístico que achei interessante, com detalhes e descrições suficientes e necessárias e sem "dar palha" para aumentar o número de páginas (pelo menos sem nos insultar a inteligência quase explicitamente) o JRS leva-nos por uma viagem, quase documental pelas questões islâmicas que, confesso, pouco conhecia. Uma viagem que nos prende e nem nos faz saltar do comboio em andamento nem nos deixa adormecer com o embalo da carruagem. Parabéns Zé! (Permita-me que tome esta liberdade, é com todo o respeito que o faço embora saiba que dificilmente alguma vez venha a ler estas linhas)
Já o Símbolo... a certa altura já me apetecia que se tivesse perdido de vez. Descrições desnecessárias, parágrafos "empanturrantes" de filme de acção de 2ª categoria, esticar, esticar, esticar porque temos de ter mais de 500 páginas, enfim, Dan... os parágrafos no estilo "E ali estava. Desde do ínicio tão óbvio e ele não tinha percebido. Mesmo na cara dele. Em frente dos seus olhos. Quanto mais tempo estiver aqui a escrever mais ele percebe o que é óbvio e que eu ainda não vos contei e só conto no próximo capítulo porque pelas minhas contas este capítulo tem que ter 14 páginas e ainda faltam 2" não são o meu estilo. Mas pronto, anima-te, a minha opinião não vale de nada e continuas a vender toneladas de livros.
Pela primeira vez li um livro, cheguei ao fim do mesmo e... ele continuou por mais 100 penosas páginas de filosofias e teorias que não me interessaram nem um pouco.
Pelo menos consegui ler até ao fim e não foi mau, apenas fraquinho.
Agora deparo-me com um dilema - o que ler de seguida? - tenho várias hipóteses, depois de analisar a mesinha de cabeceira descobri:
Em cima mantem-se uma verdadeira desilusão, A Ninfa Inconstante, que comprei num impulso após ver uma entrevista da viúva do autor, Guilhermo Cabrera Infante. Com Havana como cenário e com uma entrevista que me embalou achei que seria uma aposta ganha. Errado. Lá está, fechado após poucas páginas de dolorosa e lenta leitura. Dentro da gaveta, O último volume do MEC e Cartas desde el infierno de Ramón Sampedro (em castelhano). Qualquer dos dois estão em espera não por não despertarem interesse mas apenas porque não sinto que esteja com o espírito certo para eles. À estante fui buscar A sombra do que fomos de Luis Sepúlveda e Querido Ramón de Ramona Maneiro (em castelhano). Li a contra-capa deste último e estou muito tentado a começar por aqui.
"Yo tenía que renunciar a la presencia física de Ramón para dejarlo ir con la otra, y la otra era la muerte. Me lo suplicó y no sentí celos" (Ramona Maneiro in Querido Ramón).
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