Não esqueci

Por motivos de força maior não pude ontem marcar aqui, de forma discreta mas sentida, o dia.

Para quem sabe, caso venha a ler, um abraço.

Hoje fui ver-te.

Eu nem sou muito destas coisas. Ir ver-te onde sei que já nada de ti resta senão restos de um corpo consumido. Mas fui. Fui porque sinto a tua falta. Fui porque, acima de tudo, mereces e sempre mereceste mais do que eu ou muitos outros conseguiram dar.
Depois de muitas experiências sociais, de amizades e conhecimentos, ao fim de muitos contactos a dimensão de certas pessoas torna-se, sem dúvida, muito maior do que pensávamos e tu foste uma das mais enormes pessoas que conheci.

Eu nem sou muito destas coisas. Mas hoje, porque faz precisamente um ano que fechaste os olhos para sempre, gostava de te poder dizer que deviamos ter jantado mais vezes juntos, deviamos ter falado mais, deviamos ter vivido mais. Talvez estivesse a dizer exactamente o mesmo caso tudo isso tivesse acontecido mais vezes porque, perdemos tanto tempo com insignificâncias, perdemos tanto tempo com quem não merece, perdemos tanto com coisas tão pequenas que, agora, vendo a falta que nos fazes, me culpo de não ter virado costas às insignificâncias apenas para ter estado mais tempo com quem realmente merece.

Eu nem sou muito destas coisas... mas hoje fui ver-te para te deixar um girassol, porque sei que ele olhará sempre para ti.
Encontrei um ano de saudade e a memória do teu sorriso, da tua gargalhada que para sempre será a imagem que guardarei de ti.
Fazes muita falta... amigas como tu, fazem muita, muita falta. Pessoas como tu... não se encontram por aí ao virar da esquina.

O meu grande amor

E amanhã volta-se a sentir o aroma de dia de jogo, o rodopio de bandeiras e cachecóis por entre as rolouttes de bifanas e imperiais, os cânticos de estádio que nos emocionam, os fumos verdes que cobrem as bancadas e os golos que nos fazem vibrar e gritar naquele que é o meu spa de eleição, a minha terapia semanal, o momento só meu, que me faz esquecer os altos e baixos dos dias.

Já tinha saudades de umas horitas de cabeça vazia e olhos no relvado. Sporting até morrer!

Arrependimento ou ensinamento?

Perante uma pequena sucessão de acontecimentos surgem-me algumas questões.
É bem verdade que os "reveses" da vida não são mais que ensinamentos que nos fazem crescer mas também nos fazem olhar para trás com outros olhos e mudar a percepção que tivémos dos mais variados episódios.

Já anteriormente me debrucei sobre o tema do arrependimento, não vou repetir a dissertação, mas relembro que para mim não é mais do que o sentimento de revolta provocado pela desilusão, pelo engano.
Até hoje, não foram muitas as pessoas que me desiludiram, talvez porque não foram muitas aquelas que me iludiram. Felizmente, digo eu. Por consequência de definição, também não foram muitos os arrependimentos.
Mas, à forte luz de acontecimentos recentes, e num processo de relativização de cenários, vejo-me a olhar para trás e a pensar se certos episódios e personagens que considerei até hoje terem-me desiludido não foram mesmo apenas ensinamentos que eu interpretei de forma errada.

Talvez seja tarde para reatar relações, reformular atitudes ou esclarecer essas dúvidas, mas por certo não é tarde para crescer um pouco mais.